terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Reuniões de Saúde Pública


Realizaram-se duas reuniões de Saúde Pública, com todos os elementos constituintes desta equipa. Estas reuniões servem para abordar os diferentes tipos de planos que existem neste serviço, divididos por áreas de actuação.
Na primeira reunião começou por se abordar o Programa de Saúde Ocupacional. Nesta área realiza-se a actualização dos ficheiros, participação nas vistorias dos estabelecimentos e as visitas às empresas quando existem doenças de trabalho e acidentes, por isso considerou-se que não é um plano. A Saúde Ocupacional externa fica então englobada no Programa Geral de Estabelecimentos.
Concluiu-se que é sempre necessário fazer os indicadores das avaliações, nas actividades realizadas e os resultados. Para saber se é importante continuar o projecto, se este continuar a Saúde Pública tem que cumprir todos os objectivos.
Em geral foram abordadas todas as áreas em que a Saúde Pública actua, todos os projectos e programas existentes neste serviço. Como se fará a sua avaliação e como vão ser atingidos todos os objectivos delineados.
Na Segunda reunião foi apresentada uma grelha que irá começar a ser preenchida. É uma folha mensal denominada N.E.M.O. (Noção de Estratificação Mensal em Organograma). São registadas todas as actividades desenvolvidas e o seu tempo de resposta. É feita uma análise estatística e são publicados os resultados trimestralmente para todo o serviço. O objectivo deste registo é fazer contratualizações correctamente, dependendo das necessidades de cada área.
Também foi abordado o observatório, que é uma estrutura que estuda a saúde da população. Está a ser organizada uma equipa que irá dedicar algumas horas a esta actividade. Monitorizar o estado de saúde da população é o grande objectivo, contribuindo para a diminuição das desigualdades. Passa por várias fases, a recolha e análise da informação, um diagnóstico que permitirá concluir as necessidades e por fim o impacto do mesmo (divulgação). 
 Estas reuniões permitem uma maior proximidade entre os elementos das diferentes equipas. Saber quais os projectos e programas que cada um está a desenvolver. É também mais fácil chegar a conclusões e adoptar medidas correctivas mais eficazes.

SisÁgua

O SisÁgua é um sistema de Monitorização e Vigilância Sanitária das Águas, desenvolvido no âmbito do SISA (Sistema de Informação em Saúde Ambiental). Tem como objectivo gerir a informação e monitorização da qualidade da água de consumo, águas balneares e águas minerais e de nascente. Entrou em funcionamento em 2003, sendo a Direcção Geral da Saúde a entidade responsável.
Os serviços de saúde pública, após as colheitas efectuadas registam os resultados neste sistema, que permite consultar a informação actualizada, permitindo a tomada de decisões e respostas adequadas e atempadas.
Os utilizadores deste Sistema são os serviços centrais (Direcção Geral de Saúde), regionais (Centros Regionais de Saúde Pública e Serviço Regional de Saúde) e locais (Centros de Saúde). Estão também incluídos os Laboratórios de Saúde Pública e o Instituto Ricardo Jorge.
Também é um objectivo deste sistema permitir articulações com outras aplicações informáticas, das Entidades Gestoras e também do Ministério do Ambiente. Esta articulação deverá ser uma ferramenta essencial na elaboração de estudos e relatórios exigidos pela Comunidade Europeia no que diz respeito à Saúde Ambiental. 

A Consultar:
  •  http://www.dgs.pt/ - Na parte destinada à Saúde Ambiental, separador do SISA, encontra-se o SisÁgua e manual de utilização do mesmo.

Gestão do Risco/ Controlo da Infecção - Formação


O ACES Seixal-Sesimbra reuniu os elementos dinamizadores para um curso de Gestão do Risco e Controlo da Infecção, em que tive o privilégio de participar.
Foi organizado pelo Dr. Luís Amaro, pela Dra. Margarida Cosme, TSA Ana Paula Soares, TSA Marina Lopes, Enfermeira Fernanda Palma e Enfermeira Amélia Silva.

O objectivo foi a sensibilização para a problemática da Gestão do Risco nas vertentes de controlo da infecção e gestão de resíduos.

Programa:
1. Gestão do Risco: O que é?
2. Controlo da Infecção: enquadramento legal, núcleo executivo, elementos dinamizadores, locais e áreas de intervenção. 
3. Gestão de Resíduos: enquadraento legal, elementos dinamizadores, locais e áreas de intervenção.
Os elementos dinamizadores são os profissionais e assistentes operacionais que estão nos locais, fazem a transmissão de conhecimentos e a implementação das medidas.

Etapas do Plano de Gestão de Resíduos:
  • Caracterização da instituição;
  • Recursos Materiais;
  • Aspectos económicos;
  • Procedimentos e Práticas;
  • Recursos Humanos e Responsabilidades; e 
  • Formação.
É também necessário realizar um plano de contingência para se saber como actuar em caso de acidente.

Coordenadores Médicos 
As funções dos coordenadores são:
  • Supervisionar;
  • Garantir a participação;
  • Garantir a existência dos recursos necessários;
  • Garantir que os interlocutores desempenham o seu papel.
Responsáveis Administrativos:
  • Higienização das instalações e ambiente, são estes que articulam com as empresas.
Profissionais de Saúde
  • Conhecer e avaliar os riscos para os utentes e para os trabalhadores;
  • Adoptar as medidas adequadas.
Os elementos dinamizadores locais devem implementar e verificar se as boas práticas estão a ser cumpridas.

Após as apresentações foi necessário realizar um trabalho de grupo que focasse o contributo da equipa local para a operacionalização do Plano de Acção e o controlo individual, por área profissional, para o trabalho da equipa local.
Integrei o grupo composto por uma TSA, uma médica, uma enfermeira e duas assistentes operacionais. Depois de ter sido discutido o assunto o nosso trabalho apresentou-se em 3 fases.
Estas 3 fases só fazem sentido depois de ser feito um levantamento das características do local (materiais necessários, circuito existente e pedidos que são feitos). Só depois de um levantamento é que se podem adoptar sistemas de correcção e fazer uma correcta distribuição das responsabilidades.

1ª Fase - Conhecimento Interpessoal da Equipa
2ª Fase - Ponto da Situação
  • Recursos Humanos;
  • Actividades já desenvolvidas;
  • Projectos em curso;
  • Auscultação dos profissionais, (questionário);
  • Meios de comunicação.
3ª Fase - Programação de Reuniões
Este trabalho refere-se apenas à parte inicial do contributo que pode ser dado. É difícil definir metas sem antes passar por estas fases.
Os grupos tiveram que apresentar as suas ideias e opiniões. Apresentei o trabalho realizado pela minha equipa a todos os participantes na sessão. O facto de não conhecer os profissionais dos outros serviços deixou-me ansiosa antes de proceder à apresentação, mas a experiência e a "bagagem" que possuo neste sentido não me fez temer, realizando a apresentação da melhor forma possível! 



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Promoção da Saúde

"A promoção da saúde é o processo que permite capacitar as pessoas a melhorar e a aumentar o controle sobre a sua saúde (e seus determinantes - sobretudo, comportamentais, psicossociais e ambientais)" (Carta de Otawa, 1986). A Carta de Bangkok para a promoção da saúde num mundo globalizado (2005) parte dos valores, princípios e estratégias de intervenção estabelecidas na Carta de Otawa, complementado-a. Com a promoção da saúde, surge a noção da "saúde como um recurso" e de esta ser um "empreendimento colectivo". 


De acordo com a Aliança Europeia para a Segurança Infantil, (2005), Portugal é o sexto país da União Europeia com a mais elevada taxa de morte de crianças até aos 14 anos de idade, provocadas por acidentes domésticos e rodoviários. Daqui surge a importância de intervir nesta área.

“O mundo de uma criança gira em torno do lar, da escola e da sua comunidade imediata, o que implica que é imprescindível que estes ambientes sejam saudáveis. A criação e a preservação de ambientes saudáveis são o resultado de programas que integram a Educação para a Promoção da Saúde.” Unidade de Saúde Pública Higéia - Aces da Península de Setúbal II- Seixal Sesimbra.
A escola apresenta um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento das crianças, é por isso um local de destaque para se realizar promoção de saúde. “(…) Aí aprendemos a configurar as ‘peças’ do conhecimento e do comportamento que irão permitir estabelecer relações de qualidade. Adquirimos, ou não, ‘equipamento’ para compreender e contribuir para estilos de vida mais saudáveis, tanto no plano pessoal como ambiental (estradas, locais de trabalho, praias mais seguras), serviços de saúde mais sensíveis às necessidades dos cidadãos e melhor utilizados por estes.” (Constantino Sakellarides, in Rede Europeia e Portuguesa de Escolas Promotoras de Saúde. 1999)

Nesta área foi desenvolvido um projecto, intitulado Projecto Educação para a Prevenção (PEP). Este projecto realiza-se entre o ACES Seixal - Sesimbra e parceria com a Câmara Municipal do Seixal, os Bombeiros Voluntários do Seixal, as Piscinas Municipais de Amora e Corroios, Associações de Animação Sociocultural, Instituto de Socorro a Náufragos, Serviço Nacional de Protecção Civil, Prevenção Rodoviária e Estabelecimentos Industriais.
Objectivos:
·         Fomentar uma Cultura de Segurança e de Educação para a Cidadania;
·         Promover comportamentos cívicos e formação de cidadãos mais conscientes e participativos:
·         Identificar perigos e factores de risco na origem dos acidentes.
De uma forma geral, aquisição de competências que permitam às crianças gerir a sua própria segurança.

O público-alvo são 13 Escolas Básicas, 28 professores e 600 alunos.
Os alunos são seguidos ao longo dos 4 anos de permanência nas escolas, cada ano é destinado a um tema.
1º Ano - Prevenção de Acidentes Domésticos;
2º Ano - Prevenção de Acidentes em Espaços de Jogo, Recreio e Lazer;
3ºAno - Prevenção de Acidentes Rodoviários;
4ºAno - Prevenção de acidentes no Mundo de Trabalho e Ambiente Escolar.
Actividades Desenvolvidas:
·         Envolvimento dos Professores;
·         Exploração dos temas em sala de aula, a vários níveis, pelas crianças;
·         Dinamização do tema Segurança através de exercícios práticos;
·         Visitas de Estudo;
·         Intervenção de entidades externas ligadas à Prevenção;
·         Dinâmicas de Grupo.
Neste projecto, participei numa das acções realizadas por uma entidade externa, o Instituto de Socorros a Náufragos (ISN). As acções foram realizadas nas escolas, com o objectivo de sensibilizar as crianças para os cuidados a ter nas praias e piscinas. As crianças participaram activamente, vestiram-se de nadadores salvadores e simularam um afogamento com os respectivos meios de socorro. Foram também apresentadas as bandeiras existentes nas praias e os seus significados, bem como as regras e conselhos a que se deve ter atenção nestes locais. 
No final da acção foi oferecido a todos os participantes um Certificado Honorário de Nadador Salvador. 






Continuidade do Projecto...
 
No fim de cada ano surge a necessidade de se realizar uma avaliação global do projecto. Estes projectos necessitam de aprovação para a continuidade dos mesmos, é por isso importante fazer uma avaliação e mostrar que a sua existência é pertinente.
 São elaboradas fichas de avaliação aos alunos consoante a área que foi abordada. Estas fichas são de resposta directa, facilitam o tratamento dos dados e as conclusões. Realizei a avaliação deste projecto, na área dos Acidentes Domésticos, e elaborei um relatório com os resultados obtidos. As conclusões são muito positivas e permitem-nos verificar que os alunos apreenderam os conceitos.
Realizei também uma ficha de avaliação para os alunos relativamente aos Espaços de Jogo, Recreio e Lazer, para avaliar os seus conhecimentos. No link que se segue podem ver o meu trabalho.


Estas acções com crianças permitiram-me concluir que é necessário criar confiança com elas, para que se faça uma ligação fácil ao projecto. A motivação das crianças nem sempre é fácil de conquistar, há que saber cativar e dar sempre o nosso melhor. No entanto, a sinceridade própria das crianças mostra se estas gostam ou não das actividades, e se são adequadas aos seus conhecimentos e idades.


 
A Consultar:
  • Plano Nacional de Saúde Escolar:

  • Plataforma Europeia  para a Promoção da Saúde na Escola (SHE):

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

CERCISA

A CERCISA é uma Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas. Esta instituição tem diferentes valências.

Visitámos o local para emitir o Certificado Higio-Sanitário do Centro de Actividades Ocupacionais (CAO). Este centro está aberto das 08:00h às 17:00h, e abriga 35 utentes, com idades entre os 16 e os 45 anos. Tem 11 funcionários.
Estes centros dão uma resposta social através de equipamentos e actividades, com o objectivo de proporcionar condições para um aumento da qualidade de vida de pessoas com paralisia cerebral ou situações neurológicas afins. São realizadas actividades socialmente úteis estimulando ao máximo as potencialidades dos utentes. Serve para a valorização pessoal e é também um factor de integração e visibilidade.
Neste "site" podemos recolher uma informação mais pormenorizada acerca do CAO (Centro de actividades ocupacionais):


Este local tem as condições necessárias para o desenvolvimento destas actividades, no entanto, alguns dos utentes têm atitudes agressivas, contribuindo para um maior desgaste dos materiais e também a deterioração de alguns equipamentos.

Nem sempre é fácil interagir com pessoas com este género de deficiência. É necessário criar cumplicidade e conforto por parte dos funcionários do local.
No refeitório são servidas cerca de 100 refeições diárias. Este não apresentava as melhores condições no momento da visita, em termos de organização e estrutura. As obras estão programadas, mas com algum atraso.
No Certificado Higio-Sanitário é necessário determinar uma data limite para as alterações propostas. Neste caso a data foi alargada devido à falta de recursos.
Por vezes é necessário ponderar estas decisões. Estas instituições são muito úteis na nossa sociedade. Alguns dos utentes não possuem família, e algumas são problemáticas. Frequentemente, estes locais são o único abrigo, o local onde tomam as refeições, o banho diário, é onde recebem algum carinho e atenção. No fundo é o grande pilar das suas vidas. Por todos estes motivos há que tomar decisões conscientes.
 Esta pintura foi feita pelos utentes da Cercisa. O esforço valeu-lhes um prémio numa feira em Almada!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Olá maltinha!

Por aqui as coisas continuam óptimas. Além do cansaço, não só do estágio, mas também das viagens diárias de Lisboa até à margem sul, tenho desenvolvido o meu trabalho, esforçando-me por realizar o máximo no local e aproveitar todas as tarefas.
Como o serviço se encontra numa fase de avaliações e aprovação de projectos para este ano, tenho recolhido dados e feito a análise de dados, de forma a retirar conclusões de algumas actividades desenvolvidas pelo serviço.
Elaborei uma recolha de dados dos boletins de colheita de águas para consumo humano, que permite saber quais os pontos com mais e menos incumprimentos.
Fiz o mesmo para as águas de piscinas de utilização colectiva, e sempre que a água se apresenta imprópria, registei o motivo. Se era microbiológico ou físico-químico e quais os valores ultrapassados. Após esta análise, verifiquei que a problemática mais comum nas piscinas é a carência de barreira sanitária, o que leva à formação de organismos prejudiciais à saúde humana.


Saúde Escolar
Efectuei a avaliação das condições de saúde, higiene e segurança de duas escolas do Concelho, registei o levantamento e elaborei os respectivos relatórios.  
É da responsabilidade do Ministério da Educação fazer esta avaliação às Escolas do 2º e 3º Ciclo do Ensino Básico, Básicas Integradas e do Ensino Secundário. As escolas do 1º Ciclo e os Jardins de Infância são da responsabilidade das autarquias locais.
“A avaliação dos riscos é uma forma de conhecer a vulnerabilidade das instalações, dos equipamentos e do ambiente, com o objectivo de os eliminar, ou quando tal não é possível, de as minimizar. Este procedimento implica um diagnóstico de situação, a elaboração do relatório, a proposta das correcções e o envolvimento das entidades responsáveis pelo estabelecimento na definição de prioridades e na adopção de soluções de actuação.” Programa Nacional de Saúde Escolar
O formulário para realizar esta avaliação está disponível no site da Direcção Geral da Saúde, apenas na área reservada!
Algumas das conclusões que se podem retirar dos inquéritos de avaliação dos estabelecimentos escolares. Resultados publicados pelo Alto Comissariado da Saúde.
Escolas com avaliação das condições de segurança, higiene e saúde

Escolas com boas condições de segurança e higiene do meio ambiente

http://www.acs.min-saude.pt/pns/saude-escolar/escolas-com-boas-condicoes-de-seguranca-e-higiene-do-meio-ambiente/

Escolas com boas condições de segurança e higiene dos edifícios e recintos

http://www.acs.min-saude.pt/pns/saude-escolar/escolas-com-boas-condicoes-de-seguranca-e-higiene-dos-edificios-e-recintos/

 

E assim o tempo passa, mais rápido do que devia, mas sinto me confiante e segura de que consigo fazer parte de uma equipa de saúde pública!

Precisava de mais um tempo aqui nestas “bandas”, para conseguir desenvolver algo mais elaborado e com mais certezas. É difícil ainda reconhecer todas as freguesias e saber quais as problemáticas mais frequentes.

Tento diariamente enquadrar-me ao máximo, colaborando não só com a minha querida orientadora (Dra. Célia), mas também com toda a restante equipa. É bom saber diferentes opiniões e receber conselhos de profissionais sábias e com experiência.

Como a Saúde Ambiental, eu tenho muito para crescer. A multidisciplinaridade é boa para “uns”, má para “outros”. A especialização começa a ser uma perspectiva pertinente e cada vez mais a “desnortear” os meus neurónios! O que vai ser de mim?

Beijos!

(a saudade do Alentejo Apertaaaa)